21 de julho de 2011

[...] mas sei lá, não sei se toda essa coisa patética é mesmo necessária. Tô resolvendo umas coisas aqui viu, esses negócios de sentimentos demonstrados demais meio que estraga. Tô aqui aprendendo que nem todos dão valor ao que você pode oferecer, e acabar demonstrando afeto demais começa a encher o saco, e eu digo tudo isso da minha parte [...] vou ficar mais relax mesmo, não quer me ligar, não liga, mas também não ligarei. Não quer me ver, não me veja, mas também não sairei que nem doida atrás de você pra saber se a gente vai se ver, que horas é o nosso encontro, não mais. É apenas um aviso que eu deixo bem simples: se quiser, me procura você .


17 de julho de 2011

E este coração acomodado aí no peito? Use-o, ora bolas. Não fique protegendo-se de frustrações só porque seu grande amor da adolescência não deu certo. Economizar amor é avareza. Coisa de quem funciona na frequência da escassez. De quem tem medo de gastar sentimento e lhe faltar depois. É terrível viver contando moedinhas de afeto. Há amor suficiente. Há amor para todo mundo. Há amor para quem quer se conectar com ele. Não perdemos quando damos: ganhamos junto.
Ah, fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia.
Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora.

- Caio Fernando Abreu
Querida mãe, querido pai,

Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado. Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.
Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como "eu gosto de você". Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.
Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.


Amo vocês, seu filho,
Caio

Caio Fernando de Abreu

11 de julho de 2011

“Acho que não precisava ser assim. É tudo tão forte, tão profundo, tão bonito, não precisava doer como dói. Eu não podia apenas sorrir quando me lembrasse de você? Mas acontece tipo assim: lembro do seu rosto, do seu abraço, do seu cheiro, do seu olhar, do seu beijo e começo a sorrir, é assim mesmo, automático, como se tivesse uma parte do meu cérebro que me fizesse por um instante a pessoa mais feliz do mundo, mas que só você, de algum modo, fosse capaz de ativar. Eu sei, é lindo. Mas logo em seguida, quando penso em quão longe você está sinto-me despedaçar por inteira. Sabe a sensação de arrancar um doce de uma criança? Pois é, sou essa criança. E dói. Uma dor cujo único remédio é a sua presença. Então sigo assim, penso em você, sorrio, sofro e rezo, peço pra Deus cuidar da gente, amenizar essa dor e trazer logo a minha cura.”
 (Caio Fernando Abreu)
Publicar um texto é um jeito educado de dizer “me empresta seu peito porque a dor não tá cabendo só no meu."
" É uma lei fisiológica que a hipertrofia de um órgão traz a atrofia de outro, fato este que, aplicado aos fenômenos mentais, constitui as especialidades, quando não gera a loucura ou a monomania. Sofrem aquelas mulheres de uma hipertrofia de sentimento, compensada por uma atrofia na inteligência. Para elas o amor é um culto idolatrado, uma era divina, onde é dever sacrificar o presente e o futuro, a felicidade e o preconceito. Esta exuberância de sentimento, intumescendo-lhes o coração, produz no espírito a anemia da dúvida; - este desequilíbrio de faculdades sofreia os impulsos do coração pela desconfiança que têm elas de não encontrar nas outras almas uma correspondência legítima à religião do seu amor. Nasce daí um recato, exagerando-se até um capricho, que nas outras mulheres é uma faceirice, servindo-lhes de camisas de forças ao coração, em seus arrojos e transbordamentos. Os grandes sentimentos evitam a luz da publicidade: teme-se profanar sua virgindade, exalando-os num ambiente, resfriado pelo egoísmo e indiferença.
Apesar da timidez, o amor dessas mulheres apresenta os dois sintomas dos sentimentos simpáticos: - a expansibilidade e a atraibilidade; porém a rosa do amor só é colhida depois de lacerar com os espinhos do capricho. É bem dolorosa a provança a que se submetem os amantes."

Rocha Lima - trecho crítica Senhora, José de Alencar.

" Eu causo nas pessoas um tipo de enjôo com meu jeito, com minha carência, com minha ânsia por atenção. Tenho amor incondicional pelas pessoas que entram em minha vida e sinceramente, não sei o quanto isso é bom nos dias atuais. Talvez esse seja meu pior defeito. "

Cazuza
"Mas uma coisa é certa: quem menos se importa é quem mais cobra. Quem mais consegue fazer com que o outro se sinta culpado por não ser aquilo que ele esperava. Sempre lhe dirão que estarás errado, caso queira aquilo que ninguém mais quer. A maioria das pessoas querem se realizar por intermédio das outras, mesmo que isso custe a felicidade delas."
"A carne cobre os ossos e colocam uma mente ali dentro e algumas vezes uma alma.
E as mulheres quebram vasos contra as paredes e os homens bebem demais e ninguém encontra o par ideal mas seguem na procura rastejando para dentro e para fora dos leitos.
A carne cobre os ossos e a carne busca muito mais do que mera carne.
De fato, não há qualquer chance: estamos todos presos a um destino singular. Ninguém nunca encontra o par ideal.As lixeiras da cidade se completam, os ferros-velhos se completam, os hospícios se completam, as sepulturas se completam, nada mais se completa."

Charles Bukowski.