17 de novembro de 2011

Um ancião índio norte-americano, certa vez, descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira:
- Dentro de mim há dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom, e eles estão sempre brigando.

Quando lhe perguntaram qual cachorro ganhava a briga, o ancião parou, refletiu e respondeu:
- Aquele que eu alimento mais frequentemente.

15 de novembro de 2011

O certo fica errado de repente

Começou aos poucos com isso. E foi piorando. A doença é sim arrogante e preconceituosa, mas o mundo segue sambando, suando, escarrando. Enquanto ela se resguarda e se alimenta em sua maldade higiênica. A solidão desinfetada. Mas de dentro dessas bolhas macabras cheias de regras maníacas de um cérebro doente, ainda bate alguma coisa desritmada, vez ou outra, lhe dando escuros impulsos de vida. Um prolapso de desejo. E essa coisa bateu quando ela o viu. O fundo do seu peito exala um azedo de cocaína no sangue. Ele colocou a musica que dilacerava seu coração e, ao vê-la em prantos, só foi capaz de aumentar o som. Naquela noite ele estava especialmente sujo. Ele sumiu e voltou com um pentelho loiro grudado no suor da testa. Seu pulso fedia vodka, cigarro e carne mole. Fedia um coração apodrecido pelos seus desejos noturnos. Ele agarrou no braço de uma morena corcunda que não sabia ser solicitada por um deus. Ele é meu deus, ela pensou quando se sentiu correndo bem rápido de sua gaiola. Voando bem rápido de sua ratoeira. Sempre que ser bicho vem é tão novo que não se sabe ao certo encaixar as coerências. Ela vai até ele e enfia seu dedo dentro de sua orelha. Eu gosto de mulheres altas e magras, ele diz. Eu não gosto de você. Ela vai até ele e esfrega o osso da sua bacia. Eu não gosto de você, ele diz agora misturando ódio com delicadeza. Ela vai até ele e faz pra cima e pra baixo com a mão, por cima da calça. Por que se humilhar? Essa pergunta os dois se fazem. Ambos envergonhados e enojados. Porque é tudo tão chato, é tudo tão limpo, o certo fica errado de repente, enquanto dormimos na falsa paz que nos carrega sedados de um dia para o outro.

13 de novembro de 2011

Ele colocou a música que dilacerava seu coração e, ao vê-la em prantos, só foi capaz de aumentar o som.

10 de novembro de 2011

Não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar,tem coisa mais auto destrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia.
Caio Fernando Abreu.


4 de novembro de 2011

Dê uma olhada em você no espelho, quem você vê te olhando?
É a pessoa que você quer ser?
Ou é alguém que você queria ser? A pessoa que você deveria ser, mas acabou não sendo?
É alguém dizendo a você que você não pode ou não quer? Porque você pode.
Acredite que o amor está por aí
Acredite que sonhos se realizam todos os dias. Porque eles se realizam.
Às vezes, a felicidade não vem do dinheiro, da fama ou do poder. Às vezes, a felicidade vem dos bons amigos e da família e da tranquila nobreza de se guiar uma boa vida.
Acredite que sonhos se realizam todos os dias. Porque eles se realizam.
Acredite que sonhos se realizam todos os dias. Porque eles se realizam.
Então de uma olhada nesse espelho e lembre-se de ser feliz, porque você merece ser. Acredite nisso.
E acredite que sonhos se realizam todos os dias. Porque eles se realizam.
“Um homem que fala e não faz, é como um jardim cheio de ervas daninhas.
E quando as ervas começam a crescer, é como um jardim cheio de neve.
E quando a neve começa a cair, é como um pássaro na parede.
E quando o pássaro finalmente voa, é como uma águia no céu.
E quando o céu começa a trovejar, é como um leão à porta.
E quando a porta começa a ceder, é como uma punhalada nas suas costas.
E quando suas costas começam a doer, é como uma faca no seu coração
E quando seu coração começar a sangrar,
você está morto. E morto. E morto de verdade.”

Citado em One tree hill

26 de outubro de 2011

Lembrar de que em breve estarei morto é a melhor ferramenta que encontrei para me ajudar a fazer as grandes escolhas da vida. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo do fracasso - desaparece diante da morte, que só deixa aquilo que é importante. Lembrar de que você vai morrer é a melhor maneira que conheço de evitar armadilha de temer por aquilo que temos a perder. Não há motivo para não fazer o que dita o coração.

Steve Jobs

9 de outubro de 2011

Um pouco pesado para um dia de domingo.

Eu sou a dama da noite que vai te contaminar com seu perfume
venenoso e mortal. Eu sou a flor carnívora e noturna que vai te
entontecer e te arrastar para o fundo de seu jardim pestilento. Eu sou a
dama maldita que, sem nenhuma piedade, vai te poluir com todos os
líquidos, contaminar teu sangue com todos os vírus. Cuidado comigo:
eu sou a dama que mata, boy. Está escrito na sua cara, tudo que você 
não viu nem fez está escrito nessa sua cara que já nasceu de máscara pregada. 
Você já nasceu proibido de tocar no corpo do outro.
Você não conhece esse gosto que é o gosto que faz com
que voce fique fora da roda que roda e roda e que se foda rodando sem
parar, porque o rodar dela é o rodar de quem consegue fingir que não
viu o que viu. O boy, esse mundo sujo todo pesando em cima de você,
muito mais do que de mim - e eu ainda nem comecei a falar na morte...
Já viu gente morta, boy? É feio, boy. A morte é muito feia, muito
suja, muito triste. Queria eu tanto ser assim delicada e poderosa, para
te conceder a vida eterna. Queria ser uma dama nobre e rica para te
encerrar na torre do meu castelo e poupar você desse encontro
inevitável com a morte. Cara a cara com ela, você já esteve? Eu, sim,
tantas vezes. Eu sou curtida, meu bem. A gente lê na sua cara que
nunca. Esse furinho de veado no queixo, esse olhinho verde me olhando
assim que nem eu fosse a Isabelia Rossellini levando porrada e
gostando e pedindo eat me eat me, escrota e deslumbrante. Essa
tontura que você está sentindo não é porre, não. Ë vertigem do pecado,
meu bem, tontura do veneno, O que que você vai contar amanhã na
escola, hein? Sim, porque você ainda deve ir à escola, de lancheira e
tudo. Já sei: conheci uma mina meio coroa, porra-louca demais.
Eu, cansei. Já não estou mais na idade. Quantos? Ah, você não
vai acreditar, esquece. O que importa é que você entra por um ouvido
meu e sai pelo outro, sabia? Você não fica, você não marca. Eu sei que
fico, em você, eu sei que marco você. Marco fundo. Eu sei que, daqui a
um tempo, quando você estiver rodando na roda, vai lembrar que, uma
noite, sentou ao lado de uma mina louca que te disse coisas, que te
falou no sexo, na solidão, na morte; Feia, tão feia a morte, boy. A pessoa
fica meio verde, sabe? Da cor quase assim desse molho de espinafre
frio. Mais clarinho um pouco, mas isso nem é o pior. Tem uma coisa
que já não está mais ali, isso é o mais triste. Você olha, olha e olha e o
corpo fica assim que nem uma cadeira. Uma mesa, um cinzeiro, um
prato vazio. Uma coisa sem nada dentro. Que nem casca de amendoim
jogada na areia, é assim que a gente fica quando morre, viu, boy? E
você, já descobriu que um dia também vai morrer?

2 de outubro de 2011



“A gente só conhece bem as coisas que cativou – disse a raposa.

Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma.Compram tudo já pronto nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!”


(O Pequeno Príncipe, Antoine de Saint-Exupéry)
“(…) O que me faz viver é ele. Se tudo o mais acabasse e ele permanecesse, eu continuaria a existir; e, se tudo o mais permanecesse e ele fosse aniquilado, eu não me sentiria mais parte do universo.” 
(O morro dos ventos uivantes, Emily Brönte)